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Trilha, Riscos e Responsabilidades: Lições do caso recente no Pico Paraná

Atualizado: 9 de jan.


No início desse mês (Janeiro de 2026), um caso que ganhou repercussão nacional chamou a atenção de montanhistas, trilheiros e da comunidade de turismo de aventura: o resgate de um jovem que ficou cinco dias perdido na trilha do Pico Paraná, uma das rotas populares mais exigentes do sul do Brasil.


Entenda o que houve:


O jovem identificado como Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, iniciou uma trilha no Pico Paraná acompanhado de uma amiga para observar o nascer do sol no primeiro dia do ano. Durante a descida, ele acabou ficando para trás e perdeu contato com a parceira.


Após aproximadamente 5 dias desaparecido, Roberto foi localizado consciente, debilitado e com escoriações pelo corpo, sem óculos e caminhando por áreas densas da mata em uma região rural próxima à localidade de Cacatu, em Antonina (PR). Ele conseguiu percorrer sozinho mais de 20 km em terreno íngreme e sem suporte, até encontrar ajuda.


Responsabilidade em trilha


O desfecho positivo desse episódio não deve ofuscar os pontos críticos de segurança que ele mostra. Especialistas e montanhistas reiteraram nas análises públicas que uma regra básica de segurança em trilhas é jamais deixar um integrante para trás, independentemente do nível de experiência ou ritmo de caminhada. Essa diretriz é especialmente importante em ambientes de mata fechada, relevo íngreme, pouca sinalização e ausência de cobertura de celular  ou guia, fatores que elevam muito o risco de desorientação, exaustão e acidentes.


Em entrevistas posteriores ao resgate, a trilheira que acompanhava Roberto assumiu que o erro de deixá-lo seguir sozinho foi uma falha de julgamento, ressaltando que subestimou os riscos do percurso e a vulnerabilidade de alguém com menos experiência. Esse tipo de situação reforça que uma experiência sozinha não substitui a responsabilidade coletiva durante uma trilha. Planejamento, comunicação assertiva, conhecimento mútuo dos limites dos participantes e decisão consciente em grupo são pilares fundamentais de segurança.


Aprendizados para a comunidade outdoor


Para praticantes de trekking, montanhismo e demais atividades outdoor, como muitos dos nossos clientes da Cerrado Outdoor, esse acontecimento serve pra:

  • Reforçar a importância do trabalho em equipe nas trilhas: é ideal ninguém caminhar sozinho em uma rota desafiadora sem uma estratégia de suporte;

  • Planejar rotas e avaliar capacidades do grupo: ajuste o ritmo ao integrante mais lento para evitar separações.

  • Testar equipamentos e sistemas de comunicação antes da saída e ter plano B de comunicação em emergências;

  • Considerar suporte profissional em trilhas de risco elevado, incluindo guias certificados ou equipes de apoio logístico, e nisso podemos te ajudar muito!


Enfim...

O caso do Pico Paraná tem um final feliz pelo reencontro do jovem. Mas, os ensinamentos que dele derivam são preciosos para qualquer pessoa que pratica atividades outdoor. Respeitar o ambiente, manter o grupo unido e adotar protocolos de segurança não é apenas uma recomendação, é uma necessidade para trilhas responsáveis e sustentáveis.


É como costumamos falar no meio montanhista: "Fazer cume é opcional, mas voltar pra casa é obrigatório"


Um abraço, galera!


Filipe Alves






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